Entrevista com a professora de jornalismo da Ufam, Mirna Feitoza, sobre jornalismo digital

Na entrevista ao Portal Cultura Norte (PCN) com a professora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC/UFAM), Dra. Mirna Feitoza, coordenadora do projeto Podcast Lab F5 “30 Anos de Jornalismo Digital: a experiência dos Jornalistas do Amazonas”, ela explica e comenta sobre a série em três episódios que revisita as fases decisivas da transformação digital no campo jornalístico durante as cinco gerações do jornalismo digital a partir das vivências, desafios e soluções dos profissionais que atuam no Amazonas.

 

PCN: O que o exercício do Podcast Lab F5 buscou abordar e levar aos alunos e à sociedade?

Mirna Feitoza – A expectativa em relação ao podcast é realmente fazer o registro da experiência dos jornalistas do Amazonas, porque a literatura, os livros que a gente já tem, de pesquisadores que compilaram tudo isso, já dá uma estrutura do que é o jornalismo digital, jornalismo na internet, as suas várias fases. Mas e como foi a experiência dos jornalistas do Amazonas? Então o podcast vem com essa proposta de registrar e de refletir sobre essa experiência tão importante vivida pelos jornalistas do Amazonas, que tiveram e têm vários desafios e várias soluções.
Então, são três episódios que retratam esses 30 anos do jornalismo digital a partir da literatura. Então, são cinco fases, cinco gerações do jornalismo digital, que vai desde o jornalismo transpositivo, que é a primeira fase quando o jornalismo passa a migrar para a internet a partir da transposição, principalmente do jornalismo impresso, para a internet sem nenhuma adequação ou exploração de linguagem. Por isso que é chamado de transpositivo. E aí o primeiro episódio vai dessa migração que vem sobretudo do impresso, é o jornalismo impresso o que vai primeiro para a internet. Eu considero o jornalismo impresso o pai da internet. Então, ele vai primeiro e depois vai também à televisão, o rádio e todas as demais mídias. Vai essa convergência, mas o primeiro é o jornalismo impresso. Então no primeiro episódio a gente vai do jornalismo transpositivo que essa primeira migração até o webjornalismo que são os portais de notícias. E, nos portais de notícias a gente já tem a exploração dessa linguagem, então já tem ali o desenvolvimento de uma linguagem para o webjornalismo, que vai da interatividade, explorando a interatividade, a multimedialidade. A questão da memória, explorar através dos links a hipertextualidade. Então, hipertextualidade, interatividade, multimedialidade, a internet como um banco de dados, onde as matérias passam a ter esses hiperlinks. E a personalização também. O leitor passa a personalizar o seu consumo de notícias o que interessa para ele ou não. No segundo episódio a gente vai para o jornalismo de dados onde os jornalistas passam a fazer o uso ampliado dos bancos de dados para a produção das notícias, de pautas, e numa apuração mais robusta, a partir dos bancos de dados. No segundo episódio vai tratar também dos dispositivos móveis, os smartphones, os tablets, os notebooks, com o avanço da tecnologia, essa portabilidade dos dispositivos móveis tiraram o jornalismo do site, aquele lugar fixo, aquele endereço fixo, e essa comunicação móvel levou a notícia diretamente para onde o leitor estivesse, através dos dispositivos móveis. Isso deu uma mobilidade não só do ponto de vista do acesso, mas também da produção da notícia. O jornalista passa a produzir do lugar onde ele estiver dando uma maior velocidade mesmo na produção. É óbvio que isso também, nesse processo todo, dessas transformações, a gente teve também uma compressão cada vez maior das posições de trabalho no jornalismo, muitas demissões e o jornalista passou a ter um perfil não mais especializado numa mídia, como a gente tinha antes na separação. A internet vai fazer essa conexão, mas ela também vai levar a um reposicionamento, uma reconfiguração e até uma supressão do ambiente de trabalho por excelência do jornalista, que são às redações. O jornalista hoje trabalha muito do ponto de vista remoto também, não tem mais um lugar da redação. Ou a redação foi muito reconfigurada, o espaço de trabalho físico se tornou pulverizado, também em vários outros pontos.

 

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PCN – Como se deu o encontro e roda de conversa entre os alunos e as várias gerações de jornalistas formados na UFAM?

Mirna Feitoza – A experiência de hoje da roda de conversa foi realmente criar ali um espaço horizontal, que é o espaço da internet; ele tem essa horizontalidade na comunicação. A gente quis criar essa roda de conversa de uma forma mais horizontal, onde, através desse objeto comum que é o jornalismo, que interessa a todos que estavam ali, a gente pudesse criar um espaço de aprendizagem, onde o jornalista está transmitindo o conhecimento e a experiência que ele tem para os estudantes, e os estudantes entrando nesse diálogo a partir daquilo que eles estudaram nas disciplinas. Então, criar essa horizontalidade a partir dos laços estabelecidos de uma comunidade, de uma tribo de jornalistas, uma comunidade de pessoas que vivem o jornalismo, que são os profissionais, os estudantes, os professores. E aí, sim, fazer uma aprendizagem a partir da experiência e não só da formalização de um conhecimento que está nos livros, que está na pesquisa, que é muito importante, mas a vivência e a experiência, elas também são muito importantes. Então, é criar aprendizagem a partir dessa sabedoria, desse conhecimento jornalístico, dessa cultura jornalística. E trazer isso como uma forma de conhecimento para os estudantes.

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