As gentes da Amazônia são tema da exposição fotográfica “Les Gens du Nord”, aberta na segunda-feira, 5/1, no Museu da Cidade de Manaus, no paço da Liberdade, no centro histórico do renomado fotógrafo libanês, Jacques Menassa, um manauara de adoção com raízes profundas na Amazônia.

A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), dispõe o salão nobre do museu da cidade para abrir oficialmente a programação cultural de 2026 com a inauguração da exposição.

A noite de lançamento contou com a presença de grande número de intelectuais, amigos, alunos e admiradores de Menassa, na mostra composta de 36 fotografias, que marca o retorno do artista à capital amazonense com uma coleção impactante de fotografias em preto e branco que retratam a alma da Amazônia a partir de uma estética sensível, profunda e humanista. Por meio de um domínio técnico refinado da luz e da sombra, Menassa transforma cenas do cotidiano em poesia visual, transitando entre as texturas da floresta, os traços urbanos e, principalmente, a força humana do povo nortista.

Segundo Menassa as fotos foram tiradas nos últimos 5 anos, na região do alto Rio Negro e na cidade de Manaus. “Só uma parte de uma grande coleção que eu tenho, essa foi selecionada para essa exposição”. Quanto ao desafio de fotografar em P&B ele diz ser a base da fotografia. “É muito mais difícil acertar a iluminação em preto e branco”. Sobre a coleção ele conta que gostou desse trabalho: “Onde pode se ver a espontaneidade das fotos, o olhar deles [pessoas], tudo são fotos naturais, sem nenhuma pose, nem nada. Por isso eu selecionei como um jeito de carinho para esse povo e para a região amazônica”.

O fotógrafo tornou-se um mestre para gerações de fotógrafos de Manaus, além da ligação familiar. “Essa é uma relação muito antiga, desde que eu era criança, de 4 ou 5 anos, meu tio veio pra cá. Eu conheci a Amazônia da história, do costume do meu tio e meu avô [no final século 19]”. E reafirma seu sentimento pela Amazônia: “Eu adoro essa região, eu venho sempre aqui”.

O presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), Abrahim Baze, afirma que não se pode mensurar o valor da obra e trabalho de Menassa por Manaus e a Amazônia. “É imensurável o que esse homem faz de graça, com amor. A cidade de Manaus deve ao Jaques o título de cidadão amazonense. Nós temos que reconhecer que existem pessoas que amam a Amazônia”.
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Identidade cultural
O eixo central da exposição é o povo da região. Em cada imagem, Jacques Menassa constrói um retrato respeitoso da identidade local, revelando a resistência, a alegria e a dignidade de quem carrega a Amazônia no olhar e na história. O trabalho propõe não apenas um registro visual, mas uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade cultural.
De acordo com o texto curatorial, “Jacques não apenas registra momentos; ele imortaliza a identidade de um povo, traduzindo em contrastes o que há de mais autêntico no nosso cenário regional”.
Para o diretor-presidente da ManausCult, Jender Lobato, a exposição representa um marco simbólico para o início do calendário cultural da cidade.
“Abrir 2026 com uma exposição desse porte, assinada por um artista internacional que dialoga diretamente com a identidade amazônica, é reafirmar o compromisso da Prefeitura de Manaus com a valorização da cultura, da memória e do nosso povo. O Museu da Cidade se consolida cada vez mais como um espaço vivo de encontro entre arte, história e cidadania”, destacou.
A exposição se destaca pela forte estética em preto e branco, na qual o uso preciso da luz e da sombra revela a essência da terra e de sua gente, pelo olhar profundamente humanista que valoriza a dignidade e o cotidiano do povo do Norte, e por marcar oficialmente a abertura da programação cultural do Museu da Cidade de Manaus para o ano de 2026.
SERVIÇO:
O quê – Exposição “Les Gens du Nord”, de Jacques Menassa
Quando – Segunda-feira, 5/1
Horário de visitação – 9h às 17h
Local – Museu da Cidade de Manaus, no paço da Liberdade, na rua Gabriel Salgado, centro histórico.
Entrada – Gratuita
Texto e Fotos – Cristóvão Nonato com informações da Manauscult.


