Uma homenagem muito especial a advogada defensora dos Indígenas brasileiros, Eunice Paiva, a brava brasileira que foi retratada no livro e o filme que fez história.
Um ritual da vitória pelo prêmio de Melhor Filme Internacional a Ainda Estou Aqui (I’m still here) foi realizado e mostrado para todo o Brasil, durante a transmissão do Oscar pela rede Globo na noite de domingo, 2/3, em horário nobre com vários flash’s (entradas ao vivo), direto da aldeia Inhaã-bé, uma comunidade indígena localizada na área ribeirinha no entorno de Manaus, enquanto acontecia a cerimônia de entrega da estatueta mais cobiçada do cinema mundial.

O ritual da vitória teve defumação de breu branco, danças e cantos em celebração às boas vibrações para o filme vencedor do Oscar; e uma homenagem muito especial a advogada defensora dos Indígenas brasileiros, Eunice Paiva, a brava brasileira que foi retratada no livro de seu filho Marcelo Rubens Paiva, e que foi adaptado para o cinema e fez história.
A cerimônia inicou às 18h, a pajé A-yá Kukamíria conduziu o “Ritual da Vitória”, com defumação, danças e cantos, com a participação de jovens Indígenas; a programação iniciou às 17h com a exibição do clássico Central do Brasil, indicado ao Oscar em 1999. Durante a transmissão da cobertura do tapete vermelho desde às 19h, foram realizadas várias entradas da cerimônia indigena para todo o país, passando a ser um símbolo da resiliência da vida e obra de Eunice Paiva, para os povos originários que retribuiram pela vida a eles dedicada.
Manaus é a unica capital brasileira que tem seu nome em homenagem ao povo originário “Manaos”, já extinto pelo colonizador, e tem uma população de mais de 2,2 milhões de habitantes, dentre os quais, se destacam a maior população indígena do país, por volta de 70 mil que se reconhecem descendentes dos 54 povos, 36 línguas maternas, que residem em 75 comunidades, segundo dados informados pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).
Cine Aldeia
Os indígenas de vários povos do Amazonas realizaram o evento especial, durante a exibição da cerimônia de premiação do Oscar 2025, no projeto Cine Aldeia, a primeira sala de cinema em território indígena do Brasil, localizada na aldeia Inhaã-bé, localizada no rio Tarumã-Açú, região metropolitana.
O ritual da Vitória atraiu sorte e deu um toque original ao clima de expectativa e comemoração nacional ao filme brasileiro, dirigido por Walter Salles, e concorreu nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres.
O evento especial foi organizado pela produtora indígena Thaís Kokama, que destacou a importância da celebração.
“O filme serve como um grande testemunho vivo de resistência e dignidade, retratando a luta de Eunice Paiva pelos direitos indígenas. O Oscar já é nosso”, afirmou.
Fotos: Divulgação.
Texto: Cristóvão Nonato.
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