O aclamado diretor teatral, Genes Holder, está em Manaus montando e dirigindo duas peças como parte de projeto abrangente unindo arte, cultura e espiritualidade: “Allan Kardec e as Mesas Girantes”, “Dr. Bezerra de Menezes, o Médico dos Pobres”, “Sarau Poético Kardec e Bezerra”, além do “Curso de Teatro Desenvolvimento Corporal, Vocal e Criativo, abordagem Consciência e Sociedade”. As peças têm curta temporada, em fevereiro e março, numa promoção da Fundação Léon Denis.

Genes é um ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro com uma trajetória consolidada em São Paulo, atuando em montagens teatrais e no ensino de artes cênicas. Sua carreira é focada em investigações cênicas e montagens expressivas, sendo fundador da Companhia Teatral Sappo Surdo (anteriormente conhecida como Expresso Arte, criada em 1996). Ele se considera um diretor
Nelson Rodrigueano, e já dirigiu a peça “Os Sete Gatinhos”, clássico de Nelson Rodrigues, encenada no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. E também, tem forte influência do dramaturgo Plínio Marcos, de quem foi amigo. Escreveu e participou da montagem de “Comendo Brecht”, no teatro em São Paulo.

No ensino atua como professor de teatro, ministrando cursos sobre consciência corporal, expressividade vocal, criatividade e improvisação, com abordagens voltadas para o contexto social e a história do teatro no Brasil. Genes Holder é reconhecido por seu trabalho na pesquisa de linguagens teatrais e na formação de novos atores. Atualmente sua peça Porões 68 está em cartaz na cidade de São Paulo. Em entrevista ao jornalista Cristóvão Nonato, do Portal Cultura Norte, Genes revela que o teatro é missão de vida, e sua relação com o espiritismo e a filosofia, essenciais para o autoconhecimento e reflexões das pessoas, no confuso e radicalizado mundo atual.

Portal Cultura Norte (PCN) – Gênes, você já tinha participado de um projeto com um escopo desse, que você está participando aqui, com duas peças, cursos, sarau, um conteúdo pedagógico forte, articulação com a sociedade, com a academia, e qual a expectativa que você tem disso?
Genes Holder – A minha vida dentro dos espetáculos, que nós chamamos de transcendental, com os espetáculos espíritas começou já faz um bom tempo. Porque minha mãe era espírita, e esses projetos de vez em quando eu sou convidado para participar de um ou de outro; minha amiga Débora Lima, atriz e produtora, (manauara que mora em São Paulo) desde três anos atrás, que ela falou para mim, vamos levar esse projeto para Manaus, com essa envergadura, e com esse propósito de unir tudo. E, aí, isso foi amadurecendo, até que o ano passado ela me colocou em contato com o Leonardo Novellino (ator), e fechamos, em seguida começamos a ensaiar os textos remotamente, fazer as leituras dramáticas.
PCN – Como foi a temporada de estréia das peças em São Paulo? E porque Manaus, na sequência?
Genes Holder – Com o conteúdo espírita o primeiro local, fora de São Paulo, é Manaus. As duas peças, são de grande sucesso já em São Paulo. Allan Kardec e o doutor Bezerra de Menezes, o apóstolo espírita. Lançado três anos atrás, em 2023 para 2024, foi sucesso de público, de crítica. Porque Allan Kardec, é o grande nome do espiritismo mundial. Mesmo na França, ele é pouco conhecido. Na verdade, agora, até os próprios franceses estão começando a reconhecê-lo. Só o Brasil, é o grande o país que tem a maior quantidade de espíritas no mundo.
PCN – E você sabe que Manaus tem uma conexão com a história do espiritismo pela ligação com a França, na virada do século e ciclo da borracha. E a qual tua expectativa aqui?
Genes Holder – Espero que dê bastante pessoas para os dois espetáculos porque vai ser interessante, estou falando de Allan Kardec, estou falando do Dr. Bezerra de Menezes, que também foi fundamental para continuar [o espiritismo]; chegou um momento no Brasil que nós poderíamos ter parado o movimento espírita do Brasil. E ele foi muito incentivado pela aura celeste, para ser o presidente da Federação Espírita. Se ele não tivesse feito isso, a federação poderia ter fechado as portas e teríamos só centros espíritas – E ele não teria divulgado a doutrina do Allan Kardec. Poderíamos ter caminhado para outros tipos de doutrinas. Entendeu? Sei lá. Você também é espírita, né? Você conhece a história.
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PCN – Conheço. Você falou que foi a sua mãe a primeira influenciadora para você ser espirita. Me fale um pouco mais sobre a tua adesão, a descoberta e atuação no Espiritismo.
Genes Holder – Desde criança que eu também vejo aparições. Eu me lembro de uma história em uma cidade chamada Igarassu, Recife, Pernambuco, depois de Olinda, que tem a segunda igreja mais antiga do Brasil, São Cosme e São Damião. E lá, nós morávamos num lugar, sabe, eu e uma irmã minha recém-falecida, a Juracy, íamos caminhando e, tinha um açude do lado direito numa ladeirinha que subia até a casa da minha tia, era um sítio uma coisa bem bucólica, próximo a nossa casa. E a gente ia até lá, isso por volta de 16 a 17 horas da tardinha, quando andava uma mulher de branco na nossa frente, e ela puxava a gente sempre para o lado esquerdo. Alguns anos depois foi que eu entendi que ela não queria que a gente fosse na direção do açude. “Olha aqui, ó”[ela dizia]. Que coisa. Ela puxava a gente pro lado esquerdo. E a gente via essa mulher de branco, eu me lembro até hoje, ela [a irmã] puxava a minha mão e perguntava se eu estava vendo a mulher de branco. E, foi passando o tempo, eu comecei a ver outras situações, inclusive eu tenho fotos nos locais onde eu estou com aparições, tenho várias. Eu sou aquele médium, se eu entrar dentro do cemitério, eles [espíritos] falam o nome para pedir uma oração. Inclusive eu coloquei no texto, por causa das minhas experiências.
PCN – E você contou para tua mãe sobre as aparições?
Genes Holder- A minha mãe era medium, eles faziam mesa branca. A minha mãe fazia a famosa mesa branca, então essa é a primeira conexão, que é a mesma da família do Dr. Bezerra de Menezes. Não sei se vocês conhecem a história que eles faziam a mesa branca, inclusive com o pai e a mãe dele, e a ligação dele com Nossa Senhora. Já é dessa época que Nossa Senhora começou a aparecer para ele quando era bem jovem. Depois eu passei a conviver com minha mãe na mesa branca, eu participava algumas vezes. Só que a minha mãe também tinha o candomblé. Minha mãe era mulata. E também ela fazia aquela mistureba, que eu acho que é extremamente natural. Mas ela sempre fazia várias consultas. Tinha muitas pessoas que consultavam com ela. E com o auxílio de vários espíritos. Me lembro de um índio. Eu me lembro de um seu Cajueiro, e os espíritos que auxiliavam ela nas consultas. Tinha um menino que brincava comigo embaixo da mesa, eu tive várias experiências, era extremamente natural.
PCN – E quando foi que você conheceu o kardecismo e procurou estudar?
Genes Holder – É aí que vamos entrar na história por eu ser um diretor Nelson Rodriguiano e Plínio Marcos, de quem fui amigo pessoal, com quem aprendi a jogar o tarô mitológico.
Aí, bom, aí, voltando para a pergunta, eu estava ensaiando, a peça Os Sete Gatinhos, do Nelson Rodrigues, uns 14 anos atrás, eu conheci uma pessoa na Federação Espírita de São Paulo, e ele foi fazer umas oficinas comigo, que é o Marco, ele ficou muito interessado pela minha metodologia, e me convidou a conhecer um centro espírita e me convidou a fazer algum trabalho sobre Allan Kardec. Eu nunca tinha lido nada, me aprofundado em nada à época, entre 2010 e 2012. Aí eu falei, bom para escrever um texto sobre o Allan Kardec, eu vou ler. E quando, vou ler, é muito mesmo… Para o Bezerra de Menezes foram 18 livros, cruzando informações. Aí eu comecei a ler sobre o Allan Kardec, e falei, vou colocar tudo. Uma coisa que as pessoas não sabem: ele tinha uma filha de criação. Você sabe disso? Então a pesquisa se aprofundou tanto que chegou nessa filha de criação, ele também é autor de peça teatral, e eu comecei a estudar todos os livros, na busca pela base da história dele… Se eu fosse contar, tanto do doutor Bezerra de Menezes quanto do Allan Kardec, seriam dias e dias, de tão grande, tão extensa a quantidade de pessoas com quem eles conviveram.
PCN – Aí você fez um recorte, na vida e obra?
Genes Holder – Os principais, o que é: o início, mesa girante, nome dele, história dele com Ruth Japhet
que foi a médium. A revelacao do nome [Allan Kardec]. E outra, o primeiro livro, o livro dos espíritos, não só foram as irmãs Julie e Caroline Baudin. Então eu fui pegando isso, porque é aquela coisa, não adianta a gente ficar enchendo linguiça. A informação básica é isso, se houver um interesse mais, principalmente do espírita vai fazer a pesquisa nos livros.
Fiz questão de colocar outra personagem extremamente importante, Ermance De La Jonchére Dufaux (1841) [familia Dufaux], eu sou apaixonado pela história dela, do que ela representou, porque sozinha duplicou a quantidade de respostas com os espíritos. Não pode faltar a esposa de Kardec, Amélie Gabrielle Boudet, [professora e artista plástica], era nove anos mais velha do que ele e viveu 14 anos depois da morte dele para continuar o legado, ela também ela foi tocada, eu coloco isso na peça. Vai [o recorte de tempo] até a morte de Kardec.
PCN – Quanto ao elenco local, como você avalia e faz a mistura entre experientes e novatos?
Genes Holder – Então, eu acho que o diretor, quando vai falar sobre… Se não tem experiência, você ajuda, você vai ensinando. Eu estou aqui justamente por isso. Por isso que nós estamos fazendo esses cursos. Inclusive, estou fazendo um trabalho de preparação de corpo, de voz. Até exaustivo, mas eu acho necessário para prepará-los, justamente quando eu for começar esse trabalho. Já comecei o trabalho das encenações, mas depois de colocá-los no palco, porque colocando no palco, você tem o tempo da música, você tem o foco de luz. Isso é um trabalho de direção. Por se tratar justamente de um espetáculo, nós chamamos de devocional. Tem isso. Não é um carro acelerado, é um carro em marcha lenta, mas, ao mesmo tempo, que não canse o público. O público tem que se apegar à história, ele não tem que dormir durante o espetáculo. Tem que ser levado pela história, pelo enredo. E isso vem muito da atuação dos atores, o corpo presente, um bom figurino, uma boa maquiagem.
PCN – Tem algum talento novo que você observou em Manaus?
Genes Holder – Tem uma menina que eu estou observando ela. Mas eu tenho sim, o Gustavo, o filho da Débora, ele atua na peça Porões 68, foi o mais elogiado, porque ele fez um personagem, o Eugênio Paz, teve o Marighella, depois você teve o Toledo, ele foi o dirigente, o líder mais novo da ALM (Ação Libertadora Nacional). Depois que esses dois foram mortos, ele ficou no lugar. Ele simplesmente era o mais determinado, um espetáculo pessoal, aquele menino, o Gustavo Cavalcante, e a irmã dele também, a ..???. O Gustavo, além de ser um bom ator, também é excelente pianista. Ele fez a trilha sonora da peça Bezerra de Menezes.
PCN – Como é que você vê a aceitação, estou falando em nível nacional, no meio artístico, do espiritismo? E eu lembro que recentemente teve uma manifestação do Antônio Fagundes, falando da obra do Allan Kardec e mostrando uma intimidade, um conhecimento muito profundo. E eu posso ampliar isso até para o nível mundial. Como é que você avalia essa aceitação do Kardecismo?
Genes Holder – Poucas pessoas sabem, mas Paulo Goulart e Nicette Bruno, eu lembro, eles falavam disso [Kardecismo]. Eu sei que a Débora Duarte, eu conheço alguns outros. Agora, o Fagundes, já dirigi espetáculos dele já duas vezes, mas, na verdade, eu nunca tive longas conversas com ele, mas, eu fico muito contente de saber que ele está envolvido com o espiritismo.
PCN – Como é que você vê, então, o tema na indústria cultural, no audiovisual, no teatro, na música?
Genes Holder – Então, eu vejo o espiritismo para algumas pessoas como uma curiosidade de saber o que tem na vida após a morte; então o que é bem interessante é que nós temos a rédea, eu não vou fazer uma maldade, porque depois que eu morrer eu vou pagar por isso, sabe? Então, eu vejo que muitas pessoas dentro da tríplice, das três religiões mais conhecidas, Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, nós temos as linhas filosóficas. Eu prefiro mais as linhas filosóficas, o gnocismo, a cabala e o sofismo. E outra, poucas pessoas sabem, mas o Espiritismo sai do Gnosticismo como a linha filosófica. Inclusive, tem uma linha da igreja que respeita muito o Espiritismo, justamente porque “faz o bem sem olhar a quem”.
PCN – Vamos trazer o debate para a contemporaneidade: o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han que tem estudado a “sociedade do cansaço”, diante dessa pressão do neoliberalismo por alta performance, alta produtividade a hiperconexão com a internet, isso dificulta as pessoas no exercício do autoconhecimento que é uma das bases do espiritismo. Para você como é que avalia o interesse que a sociedade tem hoje, ou poderia ter do espiritismo, diante dessa análise?
Genes Holder – Pensando sobre… Eu acho que fica mais fácil falar sobre mim. Sobre o que eu entendo, o Eugênese. Eu sempre fui casado com uma pessoa durante 16 anos que era professora de yoga. Quando eu fui conviver com ela, professora de yoga, psicóloga, eu também fiz a psicologia trans pessoal, e eu não entendia, eu queria entender melhor como era a minha relação com o outro, sabe? Para evitar momentos de violência. E quando você está falando de autoconhecimento, desde o momento que você começa a ir atrás dessas, que eu falei agora há pouco dessas linhas filosóficas, você vai automaticamente se conhecendo, certo? E você vai entendendo a tua respiração e vai entender a respiração do outro. Você vai entender os momentos rompantes, você vai segurar.
Quando você tem essa questão do autoconhecimento, aprende a entender melhor o outro.
PCN – Tá, mas o sentido da minha pergunta, segundo o Byung também é católico, e ele recomenda essa conexão como uma forma de você sair do sequestro da vida aí fora…
Genes Holder – Olha, é interessante essa pergunta, porque eu vou responder pela área que eu sou formado na psicologia. A psicologia trans, é considerada a quarta parede da psicologia. Você estuda Lacan, Jung, Freud. Mas, muitas vezes, quando você vai clinicar, você vai fazer um trabalho com a pessoa diante do que ela traz, muitas vezes, situações que você fala: “É a religião que vai resolver. Vai procurar uma igreja.
PCN – A tua experiência no teatro, nessa vanguarda da resistência e com a nova peça em cartaz, “Porões 68”, como é que você vê essa apropriação desse conservadorismo de ultradireita, dessa onda fascista se apropriando da mística religiosa, inclusive dentro do espiritismo, para justificar as atrocidades que eles propagam e praticam?
Genes Holder – As pessoas precisam conhecer a história para ter consciência das atrocidades que o regime de excessão cometeu. Por exemplo o caso do Eduardo Collen Leite e sua morte terrivel, porque naquela época quando eles começaram a fazer os sequestros pra soltar as pessoas que estavam presas – o Lamarca fez, o Gabeira fez, o primeiro sequestro do embaixador americano Charles Elbrick para soltar os companheiros; o Collen foi preso ele ficou seis meses no DOPS. No dia que colocaram o nome dele na lista, o Fleury tirou o cara do xadrez, arrancou o pênis do cara, arrancou os olhos do cara, colocou o pênis do cara na boca dele. Encontraram todo o cara com a parte do corpo na rua comércio, lá na região de Guarujá, em São Paulo, e como ele tem vários casos horríveis.
PCN – Esse interesse do cinema atual nessas histórias do Brasil, você acha que a explicação está exatamente na falta de punição das atrocidades que foram feitas, das coisas inimagináveis, das loucuras que o povo nem imagina?
Genes Holder- Eu acho que a resistência, o artista tem que resistir. Uma maneira de você resistir é estar sempre, lembrando a história. Isso não pode acontecer de novo! Olha, se você não conhece a história, como aconteceu, e nós estamos contando aqui. Você vai deixar isso acontecer de novo?
PCN – Qual a contribuição dessas duas peças para a sociedade que vive essa crise política, filosófica e religiosa? Qual a mensagem que você espera que as pessoas captem para refletir?
Genes Holder – Tanto Kardec quanto o doutor Bezerra de Menezes são revolucionários. Doutor Bezerra de Menezes, por exemplo, naquela época, no início do século XIX, ele foi um dos primeiros a fazer medidas e campanhas de saúde contra a febre tifoide, o fumo; Ele era um homem muito à frente do tempo dele, Inclusive ele tirou do próprio bolso dinheiro para construir ferrovias. Então, a peça tem antes dele ser médico, político, e outra coisa, inclusive você vai assistir a peça, vai ver a relação dele com os poderosos, era de muita distância. Ele era do Partido Liberal (PL), poucas pessoas sabem, mas o PL, durante muito tempo era um partido liberal – era um cara progressista. Eu também vejo em Kardec, com seus ensinamentos, que ele também era progressista. Temos lá algumas ressalvas sobre o Kardec, que você sabe, em relação aos negros, que é o contrário do Dr. Bezerra, que era um abolicionista. Mas é isso, acho que o espetáculo ele educa. Ele está aí para isso. Mas o espetáculo não só faz isso. A importância do espetáculo teatral é a reflexão. É o que você completa, o complemento. Você vai complementar aquilo que você viu. Você é obrigado a levar para casa e pensar sobre tudo que você assistiu. Certo? Como é que eu vou reagir com o mundo? Como é que vai ser a minha interação com o mundo depois de tudo que eu vi que eu assisti hoje aqui?
PCN – Mas o teatro tem muito de experiência também, é uma coisa que impacta, né?
Genes Holder – Sim. Se não, não é teatro, né? Todos os espetáculos teatrais, tem que trazer isso para você. Ele tem que tirar do teu eixo, do teu lugar comum. A importância do teatro é isso.
PCN – Isso explica o sucesso do teatro na atualidade?
Genes Holder – O teatro sempre foi sucesso. A Fernanda Montenegro, fizeram uma pergunta para ela certa vez: o que é que eu faço? Eu quero fazer teatro eu quero ser ator, eu quero ser atriz… Ela falou não faz porque o teatro não precisa de você. Ele vai existir por si próprio. Mas eu entendi muito bem o que ela quis dizer com isso. Porque só quem vai fazer aquilo dela é quem vai respeitar, é quem vai ter amor. Ela estava conversando sobre ter muito amor pelo teatro. Desde o momento que eu me vi ator, aos 14 anos de idade, naquela apresentação lá em Recife, fazendo Lampião no Inferno, a partir de então eu tenho muito amor pelo teatro. E eu faço o melhor possível para o público.
PCN – Tenho lido que os teatros estão cheios e as pessoas estão até explicando que depois da pandemia e da super exposição aos celulares, elas querem uma experiência diferente, mas, que é algo que realmente impacte e que não as confunda, o tanto quanto elas estão confusas, hoje, com essa experiência digital, da vida digital. O que você acha disso?
Genes Holder – Eu acho, primeiro muito interessante… Passei recente por uma livraria, estava cheia de gente comprando livros. Sabe? E hoje você pode ler livros pelo celular. Mas está de novo voltando esse interesse de você ter um livro na mão. Mas o quê que explica isso? Não é supérfluo. Eu acho que é justamente isso. Você precisa… O cidadão ele tem que sempre entender que em algum momento você está deixando a sua digital em algum lugar. Quando alguém me fala de um livro que leu, por exemplo, eu não conhecia muitas histórias – inclusive me chamou muito a atenção do Thiago de Mello – o valor dele, da história, os quadros que ele colecionou, o trabalho que ele fez. As pessoas não sabem, isso tem que ser levado para o mundo. Então eu vou levar isso Entende?




