Manaus registra o pior rendimento per capita entre as capitais

O Amazonas demonstrou um avanço destacado na redução da desigualdade de renda em 2024, com o Índice de Gini melhorando significativamente (passando de 0,511 para 0,474), um indicativo positivo de melhor distribuição de rendimentos no estado.

Além disso, a taxa de frequência escolar total (32,2%) e a taxa de analfabetismo (4,8%) ficaram melhores que a média nacional (27,2% e 5,3%, respectivamente), demonstrando progressos na área de Educação.


No entanto, o estado enfrentou um cenário de queda nos rendimentos médios e posições desfavoráveis nos rankings nacionais de renda. O rendimento médio de todos os trabalhos no Amazonas (R$ 2.297,00) e do trabalho principal (R$ 2.249,00) registraram quedas de R$ 170,00 e R$ 157,00, respectivamente, em comparação com 202, fazendo o estado cair posições nos rankings. A situação é mais crítica no rendimento domiciliar per capita, onde o Amazonas (R$ 1.237,07) ficou muito abaixo da média nacional e a capital, Manaus (R$ 1.502,00), registrou o menor valor entre todas as capitais brasileiras. A elevada proporção de jovens que não estuda e não está ocupado (25,52%) também sinaliza um desafio persistente na inclusão dessa parcela da população no estudo e no mercado de trabalho.
Os dados são da pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira 2025”, cujo foco é sistematizar e apresentar um conjunto de informações relacionadas à realidade social do país.

Amazonas apresenta melhora no rendimento médio de todos os trabalhos
A pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira 2025”, se subdivide em três eixos: Estrutura econômica e mercado de trabalho; Padrão de vida e distribuição de rendimentos; e Educação.

 

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TRABALHO E RENDIMENTO
Rendimento médio de todos os trabalhos tem queda de 170 reais, no estado
Em 2024, o Amazonas, tinha até o ano passado, 1,8 milhão de pessoas ocupadas, sendo que 708 mil estavam em trabalhos formais (39,8%). A taxa de desocupação no estado, ano passado foi de 8,4%, o que representa um total de 164 mil pessoas.
Com rendimento médio de R$ 2.249,00/mês, o estado, ficou na vigésima posição, entre as Unidades da Federação, com o valor do rendimento médio real habitual do trabalho principal, em 2024. O rendimento médio do trabalho principal de pessoas de 14 anos ou mais, no Amazonas, reduziu em R$ 157,00 entre 2023 e 2024, passando de R$ 2.406,00 para R$ 2.249,00. (Tab1.5)
O ranking do rendimento médio do trabalho principal foi encabeçado pelo Distrito Federal (R$ 4.889,00); São Paulo R$ 3.760,00); e Rio de Janeiro (R$ 3.646,00). Os menores rendimentos médios do trabalho principal ficaram com Maranhão (R$ 1.994), Ceará (R$ 2.014) e Piauí (R$ 2.084,00).

Na comparação que considera o rendimento médio de todos os trabalhos, entre as Unidades da Federação (UFs), o Amazonas (R$ 2.297,00) caiu duas posições, entre 2023 e 2024, e ocupou a vigésima segunda posição. Em um ano, houve redução de R$ 170,00, quando passou de R$ 2.467,00, em 2023, para R$ 2.297,00, em 2024.
Os maiores rendimentos médios de todos os trabalhos, em 2024, foram do Distrito Federal (R$ 5.037,00), de São Paulo (R$ 3.884,00) e do Rio de Janeiro (R$ 3.739,00). Os menores rendimentos médios de todos os trabalhos, no mesmo período, ficaram com Maranhão (R$ 2.051,00), Ceará (R$ 2.053,00) e Bahia (R$ 2.140,00).

Entre as principais capitais brasileiras, Manaus ficou na penúltima posição no rendimento médio do trabalho principal
Manaus, tinha até o ano passado, 1 milhão de pessoas ocupadas (55,2%), sendo que 536 mil estavam em trabalhos formais. A taxa de desocupação no estado ficou em 10,3%, o que representa um total de 116 mil pessoas.
Na capital amazonense, o rendimento médio do trabalho principal caiu em R$ 220,00, saindo de R$ 2.904,00, em 2023, para R$ 2.684,00, em 2024.
Entre as capitais brasileiras, Manaus (R$ 2.684,00) ficou na penúltima posição, entre os rendimentos médios no trabalho principal. Os maiores rendimentos foram de Vitória (R$ 5.933,00), Florianópolis (R$ 5.716,00) e Curitiba (R$ 5.640,00). Por sua vez, os menores rendimentos médios no trabalho principal ficaram com Salvador (R$ 2.635,00), Manaus (R$ 2.684,00) e Maceió (R$ 2.719,00).

Já o rendimento médio de todos os trabalhos, Manaus passou de R$ 2.953,00, em 2023, para R$ 2.720,00, ano passado. A queda no rendimento médio de todos os trabalhos foi de R$ 233,00, em um ano.

Rendimento domiciliar per capita

O rendimento médio domiciliar per capita total de 2024, do Amazonas em comparação com as demais Unidades da Federação é de um rendimento relativamente baixo. O Amazonas registrou um rendimento médio per capita de R$ 1.237,07, um valor que se encontra significativamente abaixo da média nacional de R$ 2.017,00. Apesar de não ser o menor do país, ficando acima do Maranhão (R$ 1.079,21), seu rendimento representa menos da metade do valor máximo observado, que é o do Distrito Federal/Brasília (R$ 3.280,98).
Ao analisar o rendimento médio per capita entre as capitais, Manaus apresenta o menor valor entre todas as capitais e o Distrito Federal, com R$ 1.502,00. Este rendimento está bem abaixo da média das capitais, que é de R$ 2.590,04, e representa apenas cerca de 32% do rendimento máximo registrado, que pertence a Florianópolis (R$ 4.673,75). Essa disparidade indica que Manaus, apesar de ser a capital de seu estado, enfrenta um desafio considerável em termos de rendimento domiciliar per capita em comparação com asoutras capitais brasileiras.

Índice de Gini
Em 2024, o Índice de Gini que mede a distribuição de rendimento domiciliar per capita, foi de 0,474, no Amazonas. Na comparação com o ano anterior (0,511) melhorou em 0,037. Entre as Unidades da Federação, o estado ficou na décima nona posição, com índice de 0,474. Os maiores e, portanto, os que apresentam maiores desigualdades de renda, foram do Distrito Federal (0,547), de Pernambuco (0,530) e de Roraima (0,530). Já as UFs com os menores índices foram Santa Catarina (0,430), Rondônia (0,442) e Mato Grosso (0,442). (Tab 2.13)

O índice de Gini é uma medida numérica que representa o afastamento de uma dada distribuição de renda da linha de perfeita igualdade, variando de “0” (situação em que não há desigualdade) e “1” (desigualdade máxima, ou seja, toda a renda apropriada por um único indivíduo).

Pobreza e extrema pobreza
No Amazonas, as principais linhas de pobreza, todas tendo por base o rendimento domiciliar per capita. O público-alvo potencial do Programa Bolsa Família (pessoas com rendimento abaixo de R$ 218,00) era de 224 mil de pessoas (ou 5,4% da população) em 2024. Levando-se em consideração a linha recomendada internacionalmente para o Brasil (US$ 6,85 PPC), o total de pobres chega a 1.6 milhão de pessoas (39,2% da população) no mesmo ano. Cabe ressaltar que as linhas de extrema pobreza ainda apontavam, em 2024, para um contingente de 211 mil (5,1%) de pessoas pela linha de US$.
Por sua vez, a metade do valor do rendimento mediano remete ao indicador 10.2.125 do ODS 10, que monitora a proporção da população que vive abaixo desse valor, com desagregações para sexo, grupos de idade e pessoas com deficiência (United Nations, 2020). Por essa medida, 1.6 milhão (37,8%) de pessoas estariam na pobreza, em 2024, que é mais próximo do valor da linha de US$ 6,85 PPC.

EDUCAÇÃO
Pessoas na faixa etária de 25 anos ou mais apresentam menor taxa de frequência escolar no Amazonas

Com taxa de frequência escolar de 32,2%, o Amazonas aparece, na Síntese de Indicadores Sociais de 2024, melhor cinco pontos percentuais que a taxa nacional (27,2%). As maiores frequências escolares, no estado, foram dos grupos de idade de 6 a 10 anos (99,4%); de 6 a 14 anos (99,2%); e de 11 a 14 anos (99%). As menores ficaram com os grupos etários de 25 anos ou mais (6,6%); de 0 a 3 anos (17%); e de 18 a 24 anos (30,3%).
Em Manaus, a maior frequência escolar foi do grupo etário de 6 a 10 anos (99,2%) e o menor taxa de frequência ficou no grupo etário de 25 anos ou mais (6,8%).

Considerando os grupos etários e nível de ensino, as maiores taxas ajustadas de frequência escolar, no estado, em 2024, foram entre pessoas de 6 a 14 anos, cursando o ensino fundamental (94,1%); seguida por pessoas de 6 a 10 anos, nos anos iniciais do ensino fundamental (89,8%); de pessoas de 11 a 14 anos, nos anos finais do ensino fundamental (84%); do grupo etário de 15 a 17 anos, no ensino médio (73%); e do grupo das pessoas de 18 a 24 anos, no ensino superior (21,4%). Em Manaus, a ordem de grupos etários e nível de instrução segue a mesma ordem da encontrada no estado, com pequena variação no grupo de 15 a 17 anos, no ensino médio (78,4%) e no grupo de pessoas de 18 a 24 anos, cursando o ensino superior (27,5%).

Taxa de analfabetismo – Amazonas fica na décima quinta posição entre as UFs
Segundo a PNAD Contínua, em 2024, a taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais de idade, no Amazonas, foi de 4,8%, ficando menor 0,5 ponto percentual (p.p.) que a do país (5,3%) e em relação a 2023, quando era de 5%, caiu 0,2 ponto percentual.
Entre as Unidades da Federação, as maiores taxas de analfabetismo, em 2024, foram de Alagoas (14,2%), do Piauí (13,8%) e da Paraíba (12,7%). Já as menores aparecem no Distrito Federal (1,8%), em Santa Catarina (1,9%) e no Rio de Janeiro (2%).
Vale ressaltar que a Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece o objetivo de erradicar o analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade.

Entre as principais capitais brasileiras, Manaus (1,7%) ficou na décima nona posição na taxa de analfabetismo. Os maiores percentuais foram de Maceió (6,4%), Rio Branco (5,6%) e Macapá (5,1%). Por sua vez, as menores taxas de analfabetismo ficaram com Florianópolis (1%), Porto Alegre (1%) e Rio de Janeiro (1,2%).

Jovens de 15 a 29 anos
Com base nos dados de 2024 para o Amazonas, a população total de jovens entre 15 e 29 anos de idade atinge 1.107 mil pessoas. A maior parcela dessa população só está ocupada, somando 412 mil pessoas (37,3%) do total. Em seguida, o grupo “só estuda” representa 292 mil pessoas (26,4%), enquanto aqueles que “Não estuda e não está ocupado” (jovens NEM NEM) correspondem a 282 mil pessoas (25,5%). A menor proporção está no grupo de jovens que “Estuda e está ocupado”, com 121 mil pessoas (10,9%).

O Amazonas ocupa a 9ª posição no ranking, com um percentual de 25,52% de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem estão ocupados, os chamados nem e nem. Este valor o coloca próximo à média dos estados do Nordeste e acima dos demais estados da Região Norte, com exceção de Roraima, Rondônia, Pará, Amapá e Acre. O estado com o maior índice de nem nem é o Maranhão 31,53%, e o menor é Santa Catarina 10,54%.

Mais sobre a pesquisa
A Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025 tem como objetivos sistematizar e apresentar um conjunto de informações relacionadas à realidade social do país, a partir de temas estruturais de grande relevância. Nesta edição, os temas estão organizados em três eixos fundamentais e complementares: Estrutura econômica e mercado de trabalho; Padrão de vida e distribuição de rendimentos; e Educação. Adicionalmente, nesta edição, são abordados grupos ocupacionais, perfil das pessoas idosas no mercado de trabalho e um estudo sobre trabalhadores pobres também conhecidos como Working-Poor.

Com informações e artes do IBGE-AM.

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